A
prova, apesar de ser disputada em apenas 100 quilômetros
por estradas do interior dos municípios de Tramandaí,
Osório e Santo Antônio da Patrulha, teve um roteiro
muito bem escolhido pelos organizadores da Equipe Azaléia.
Iniciando com estradas excelentes, largas, até chegar
nos últimos 25 quilômetros, à zona de areia,
passando os concorrentes inclusive em cima de pequenos cômoros
de areia, sempre com médias “salgadas” (a
mais baixa da categoria Graduados, foi de 68 km/h). Este trecho
final, foi decisivo para a classificação, acontecendo
alguns problemas e atolamentos de duplas até então
bem colocadas.
Foi ainda, nessa parte, que a maior potência dos Volkswagen
Passat TS, levou vantagem sobre os Fiat 147.
Até o posto de cronometragem N° 13 (de um total de
17) antes da zona de areia o vencedor da prova era o Volkswagen
Passat N° 212 de Jorge Fleck/Ronaldo Monteiro (apesar de
encontrar uma boiada no roteiro no PC 06) seguido pelo N°
211 de Marcelo Aiquel/Silvio Klein, ambos da Gaúcha Car,
com respectivamente 32 e 35 pontos perdidos.
Mas, bem próximo, em terceiro estava o Fiat 147 da Equipe
Glitz-Sbofa de N° 294 de Luiz Fernando Moreira/Derly Rodrigues
com 46 pp e que haviam zerado dois PC’s (os únicos,
pois os demais zeraram apenas um PC no máximo), mas devido
a dificuldades na zona de areia caíram para o sétimo
lugar com 281 pontos perdidos.

O Fiat 294 de Moreira/Rodrigues “levantando areia”
à frente do “muito atrasado” Passat 214 de
Nygaard/Reolon
Em
quarto lugar neste momento outro Fiat 147 da Equipe Glitz-Sbofa
N° 292 de José Graciolli/Silvio Szewkies com 66 pp.
Inclusive Graciolli/Szewkies, logo nos primeiros trechos tiveram
a luz vermelha de alerta de superaquecimento acessa, mas decidiram
ir até onde o motor parasse. Com este caindo cada vez
mais de rendimento, ainda assim mantinham uma das primeiras
posições.
Chegando na parte de areia solta onde o motor teria de ser exigido
ao máximo, o problema agravou-se mas mesmo atrasando
(caindo do 4° lugar para o 9º lugar com 415 pp) continuaram
cumprindo o roteiro até o final, nas proximidades do
camping de Cidreira.
Ao pararem para assinar a ficha de controle de chegada com o
Comissário da Prova Heron De Lorenzi, o motor fundiu
por completo.
Havia se partido a mangueira do radiador e perderam toda a água
do mesmo.

O Fiat 292 de Graciolli/Szewkies com problemas de refrigeração
no “trecho do deserto”
Cumprindo
atuação das mais destacadas neste “areal”
a dupla Aiquel/Klein teve extraordinária recuperação
(chegando inclusive a passar adiantado quando todos atrasavam),
o que os levou ao primeiro lugar no final com 75 pp, tendo Marcelo
Aiquel recebido a Taça Garça ofertada pela Sociedade
Amigos de Tramandaí –S.A.T, ao piloto mais destacado
na Categoria Graduados.
Outro
que passou trabalho na zona de areia, foi o Volkswagen Brasília
N° 210 da Equipe Mipem de João Carlos Fleck/Paulo
Caldas Milano. Seguramente ocupavam as primeiras posições,
sendo inclusive a dupla que teve o menor N-1, mas ao faltarem
poucos quilômetros para o final da prova, perto do PC
16, erraram o roteiro, saíram da estrada, com a parte
dianteira pendurada em um barranco. Até colocarem o macaco
e conseguirem trazer de volta o carro para a estrada, passou-se
muito tempo e terminaram em 11° lugar.
A
dupla Campeã Brasileira de 1977 Christiano Nygaard/Neri
Reolon com o Volkswagen Passat N° 214 da Equipe Gaúcha
Car, não foi feliz na prova inaugural do Campeonato Gaúcho,
pois tiveram um erro de roteiro logo no inicío, um pouco
antes do PC 04, motivando-lhes um atraso de 5 minutos, que foi
impossível de ser recuperado.
O outro carro da Equipe o N° 213 de Ernesto Farina/Carlos
Alberto Farina ficou classificado em quarto lugar, tendo entrado
atrasado na parte de areia e também não conseguido
recuperar a diferença naquele difícil trecho do
roteiro.

O Passat 213 dos primos Farina tentando recuperar o
“atraso” de um minuto na zona de areia.
Com
um Volkswagen Sedan ano 1973 da Equipe Uniplex, preparado pelo
próprio piloto o N° 252 de Gilberto Hoff/Luiz Afonso
Frantz era apontado como candidato a vitória, e de fato
sua atuação foi muito boa. Apesar de encontrar
uma boiada na estrada (por ser o primeiro a largar) que os atrasou
um pouco no PC 06, perdendo 20 centésimos, até
a parte da areia, tudo normal, mas ali se atrasaram em alguns
PC’s.
E no final, a poucos metros da chegada por pouco não
ficam na estrada. Gilberto Hoff vinha “dando tudo”
no VW, recuperando, quando três desníveis acentuados
fizeram o carro voar. No primeiro levantou e bateu “de
bico”, entortando pára-choques, guarda-lama e capô;
deu novo vôo e só no terceiro “cocuruto”
dominou o carro.
Felizmente à parte da suspensão não apresentou
danos, permitindo sua chegada e a terceira colocação
com 101 pp.

O VW 252 de Hoff/Frantz antes de iniciar o “vôo”
nos “cocurutos”.
Azar
incrível teve a dupla do Volkswagen Brasília N°
277 de Édimo Santini/Rogério Pfeifer. Logo nos
primeiros trechos, quebrou o platinado. Descoberto e sanado
o problema seguiram na prova. Pouco depois, partiu-se o cabo
do acelerador, inicialmente substituído por um fio, mas
este logo esticou, sendo substituído por arame.Voltando
ao Rallye, tiveram problema de superaquecimento, o que fazia
o motor apagar seguidamente, tendo que esperar o resfriamento.
Apesar de tudo, completaram a prova em 13° lugar.
FALAM
OS VENCEDORES:
Ao
receber os prêmios após o resultado da prova a
dupla Campeã Gaúcha de 1977 pela Equipe Gaúcha
Car, e vencedora do Rallye da Praia disse:
Piloto Marcelo Aiquel:
“Considerando os 100 quilômetros estabelecidos pela
nova regulamentação (visando à economia
de combustível pelo governo) posso dizer que foi uma
prova muito boa. No final do roteiro foi um Rallye só
para piloto. Os organizadores tiveram muita sorte em escolher
estradas excelentes, sem movimento, com muita areia, curvas
e, além disso, ligeiras e seguras”.
“A vitória foi excelente e a gente iniciou o ano
bem para tentar o bi-campeonato (N.R: conseguiram seu objetivo
ao final do campeonato...). A única dificuldade que enfrentei
durante o Rallye foi com a segunda marcha. Em determinado momento
ela não engatava e escapava. Assim, eu era obrigado a
correr trechos com a mão direita presa ao câmbio
e outra a direção”.
Para
o navegador Silvio Klein:
“O Rallye foi tecnicamente muito bom; as medições
estiveram constantes, o livro de bordo muito claro e fácil
de ser entendido. As médias também estavam, excelentes
e só no final foi difícil mantê-las. Na
verdade, o final foi seletivo, ou seja, o Rallye foi crescendo
em dificuldades e quem conseguisse ultrapassar as dificuldades
estava no páreo”.

O Passat 211 de Aiquel/Klein na ótima passagem
na zona de areia no final da prova.
NOVATOS
Visando
propiciar a renovação de valores do Rallye, nesta
temporada de 1978 volta a categoria Novatos (não disputada
em 1977 por economia de combustível).
Com o Fiat 147 N° 16 estavam inscritos Paulo Oscar Adams/Pedro
Adams Jr., da Equipe Shop Shop. Ocorre que os irmãos
Paulo Adams e Pedro Adams, da Equipe Azaléia, iniciaram
a competir juntos, há muitos anos atrás em provas
de Rallye. E agora, é praticamente uma repetição
com dois jovens da família Adams estreando nesse tipo
de competição.
Todos os participantes da categoria Novatos realizaram uma perfeita
estréia na abertura do campeonato gaúcho de rallye.
Não faltaram, logicamente, lances pitorescos aos quais
se defrontaram as 14 duplas, sendo muitas delas com navegadores
que nunca tinham manipulado um “Twin-master” - aparelho
de medição.
O
fato marcante da categoria Novatos, no já citado trecho
do areal foi proporcionado pela dupla do Volkswagen Brasília
N° 07 de Luiz Ghiggi/Ricardo Stahlberg da Equipe Damo–Rossetto
de Passo Fundo. Passaram no areal, “julgaram que erraram”
o roteiro, voltaram pelo areal, “constataram o engano”
(isto é, estavam certos no roteiro inicial) e novamente
passaram pelo areal.
Isto chegou inclusive a criar pequena confusão no cronometrista,
surpreso em ver tantas vezes diante de si o carro de N°
17...
Mas a história não terminou ai! No trecho de descolamento
de Cidreira a Tramandaí já próximos a cidade,
perderam-se em uma curva da Interpraias, saindo da estrada e
parando quase em meio a caixa d’água existente
no local.Para
os vencedores da categoria Novatos com o Volkswagen Brasília
N° 65 da Equipe Ortopé-Casa Nova, Marcos Schwan/Aury
Klein a vitória foi significativa.
“Acho que com essa vitória podemos ganhar confiança
dos nossos patrocinadores” afirmou Marcos Schwan, seguro
de que a Ortopé irá lhes dar um apoio nesta temporada.
“Até a segunda etapa do Campeonato queremos formar
uma boa equipe. É quase certo que o patrocinador vai
nos apoiar e se tudo der certo, vamos correr com dois Fiat 147
no dia 08 de abril” (Rallye Gaúcha Car –
Locarauto), garantiu o piloto Marcos Schwan. A idéia
de correr em Rallye para a dupla vencedora ocorreu à
três anos quando recebeu um convite de um amigo. Schwan
explica:
“Na primeira prova ficamos em 11° lugar. Depois fomos
nos aperfeiçoando até conquistar um segundo e
dois terceiros em provas passadas”.
Sérgio Kehl/Alceu Mosmann é a outra dupla que
formará a equipe.
Nesta primeira etapa ficaram em último lugar, com o Volkswagen
Brasília N° 66, devido a problemas mecânicos
- condensador - mas por outro lado Alceu Mosmann foi escolhido
o navegador destaque e recebeu a Taça Garça da
S.A.T.

No retorno da Categoria Novatos a vitória ficou
para a Brasília 65 de Marcos Schwan/Aury Klein
N.R-
O piloto Marcos Schwan viria a ser três vezes Campeão
Gaúcho em 1990,1992, 1993 e quatro vezes Campeão
Brasileiro de Rallye Regularidade nos anos de 1993, 1994, 1996,
1998.
O
navegador Aury Klein viria a ser três vezes Campeão
Gaúcho de Rallye de Regularidade nos anos de 1995, 1998,
2001.
OS
ORGANIZADORES
A
organização da prova esteve sob a responsabilidade
da Equipe Azaléia. Em vista da reduzida quilometragem
que as provas de Rallye terão no corrente ano, tiveram
seu trabalho dificultado na escolha do roteiro. Mas assim mesmo
garantiram na semana da prova, que pilotos e navegadores teriam
imenso trabalho.
Percorrendo estradas onde a areia era uma constante, com postos
de cronometragem mais próximos uns dos outros, as duplas
encontraram como novidade, a ausência de neutralizado
para o almoço, tempo em que era aproveitado para qualquer
correção de navegação. Em vista
disso, qualquer erro de cálculo ou fator, acabou sendo
fatal nas pretensões de vitória
.
Como na região da prova já aconteceram muitos
Rallyes, a maioria das estradas já tinham sido percorridas,
mas os últimos 25 quilômetros eram inéditos
e decidiram a classificação final.
Todos os participantes, unanimemente, elogiaram a organização
que a Equipe Azaléia deu ao Rallye, com estradas e médias
adequadas.
Muitos comentaram ao final da prova, que: “A coisa começou
mansa, foi apertando, apertando e terminou exigente ao extremo,
não nos dando tempo para nada, nem ao menos fumar um
cigarro. Foi uma prova em apenas 100 quilômetros com tudo
que as de 200 e 300 apresentam”.
Dos 28 carros que iniciaram a prova, às nove horas da
manhã de sábado, apenas três não
passaram no último PC, fato que demonstrara o bom nível
técnico da prova.
Merecem então cumprimentos Yvonoff Oliveira, Pedro Adams,
Paulo Adams, Gilberto Schury, Paulo Veeck, Luiz Milano, Ernani
Dietrich e Jorge Ullmann.

Um público muito bom em frente a S.A.T para assistir
a largada promocional na sexta feira á noite em Tramandaí
do III RALLYE MOBIL–AZALÉIA DAS PRAIAS
Pesquisa
e edição: Renato Pastro
Fontes: Folha da Tarde e Jornal do Comércio