Confira
um entrevista com o Piloto Sady Bordin. Bordin começou
a correr o Rally nos anos 80 conquistando vários títulos
do Campeonato Brasileiro de Rally. Sua última conquista
no Rally, foi a Copa Peugeot de 2005. Sady Bordin mora em Curitiba
e atualmente não está participando de nenhum campeonato
de rally.
1 – Gabriel - Como e quando o rally começou
a fazer parte da sua vida?
Sady
Bordin - Em 1981 fui convidado pelo meu amigo Dario
para participar de uma Copa Universitária de Rali. Não
fazia a menor idéia do que era mas topei na hora. Foi
amor à primeira vista. O Dario se mostrou um ótimo
navegador e já em 1983 fomos campeões brasileiro
de rali de velocidade e regularidade, além de termos
conquistado também o campeonato paranaense de rali de
regularidade. Em 1982, participando apenas de duas etapas, fomos
vice-campeões brasileiros de rali de velocidade. Acho
que o universo conspirou a nosso favor...
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Primeiro
carro de rali,que pertencia à mãe de Sady,
em 1982 |
Saltando
para a vitória. Piraquara, 1983 |
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- Gabriel Moraes - Conversando com alguns amigos, eles me disseram
que você participou da etapa do WRD (hoje conhecida como
WRC) no Brasil em 1981. Portanto, gostaria que você contasse
como foi esta sua participação nesta prova?
Sady Bordin - Foi ridícula
e ao mesmo tempo hilariante. Para você ter uma idéia,
fomos rodando com o carro de rali de Curitiba a São Paulo,
com as malas no meio do santo-antônio. Logo na vistoria,
o primeiro problema: os bancos não tinham encosto para
cabeça! Tivemos que sair desesperados atrás deste
item para podermos participar da prova.
Aí veio a história das meias do Dario. A certa
altura da prova, os dois filtros de ar do motor caíram.
Para evitar que entrasse pó no motor (apesar de estar
chovendo...), pedi ao Dario que me emprestasse suas meias! Ele
não entendeu nada mas as entregou um pouco contrariado.
Eu as coloquei, cada uma, na entrada de ar do carburador. Não
deu outra. Depois de algumas dezenas de quilômetros, o
motor fundiu, pois havia acabado de engolir as meias do Dario...
Chegamos rebocados ao final da primeira etapa. Levantamento
para a prova? Na época nem sabíamos o que era
isso...
Apoio mecânico? Bem que tentamos, mas não conseguimos
nos encontrar no local combinado...
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Bordin em frente ao
Voyage utilizado em etapa do Sulamericano de Rali, 1985,
Uruguai. |
Bordin / Cunha saltando
para o segundo lugar na etapa catarinense do brasileiro
de 1985. |
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- Gabriel Moraes - Sabemos que você teve uma participação
em rallyes pelo exterior, chegando a competir em provas do Campeonato
Europeu de Rally. Fale-nos um pouco, como foi esta sua passagem
por estas provas.?
Sady Bordin
- Infelizmente foi uma temporada que deu tudo errado. Desde
a infeliz escolha do carro (Um Opel Manta) até a escolha
da equipe. Nosso único resultado decente foi um terceiro
lugar no Rali da Espanha. Com certeza se tivéssemos escolhido
um carro melhor (Na época, um Lancia Delta 4x4 Grupo
N custava o mesmo que nossa banheira do grupo A) a história
teria sido outra. Torrei um caminhão de dinheiro e voltei
para o Brasil muito decepcionado.
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Sady Bordin / Tuca
Cunha participando da etapa do mundial no Rali de Córdoba,
em 1985. Segundo lugar com um Chevette |
Bordin explicando para
a imprensa argentina como conseguiu chegar em segundo
com um Chevette. |
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- Gabriel Moraes - Todos nós fãs temos um piloto
preferido. Você como competidor, teve algum piloto em
que você se espelhou quando começou a correr?
Sady Bordin
- Conheci o Stig Blonqvist num café da manhã em
Córdoba e achei o cara muito simpático. Passou
a ser meu piloto preferido.
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Antes da largada do
Rally do Ártico, Finlândia, 1986, Opel Ascona |
Sady
Bordin / Dario Araújo na largada do Rali Costa
Brava, Espanha, 1987. |
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- Gabriel Moraes - Em 1984 você foi Campeão Brasileiro
de Rally a bordo de um Chevette GM Touring. Portanto, nos fale
um pouco desta temporada.?
Sady Bordin
- Agora sim podemos falar de uma temporada onde deu tudo certo.
Finalizamos todas as etapas, com 3 vitórias, 2 segundos
e, o pior resultado, um terceiro. Para se ter uma idéia
do sucesso daquele ano, marcamos o dobro de pontos em relação
ao nosso colega de equipe (César Vilela), que ficou em
segundo lugar no campeonato.
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Sady
/ Dario com sua equipe. Espanha, 1987 |
Bordin
/ Araújo largando em mais uma especial na etapa
Sueca do Europeu de 1987. |
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- Gabriel Moraes - Já cometeu alguma falha grave no rally,
a qual vai levar pra sempre como lição?
Sady Bordin
- Sim, fui para a Europa achando que, por ser campeão
no Brasil, iria dar um pau nos europeus...
De vez em quando um pouco de humildade faz bem...
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Bordin
/ Araújo na largada de mais um Rali da Graciosa,
em 1990, a bordo de um Gol 1.6 |
Bordin
/ Araújo em ação na famosa subida
da Graciosa, 1990 |
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- Gabriel Moraes - Sendo campeão de uma das edições
da Copa Peugeot de Rally, nos fale um pouco sobre esta sua conquista.
Hoje como você vê a Copa Peugeot para quem quer
iniciar no rally velocidade?
Sady
Bordin -
Para mim foi o campeonato mais disputado na minha carreira.
Peguei pela frente um osso duro de roer, um tal de Rafael Túlio,
que me deu muito trabalho. O cara é muito rápido,
mas ganhamos dele na parte psicológica, pouco valorizada
neste meio. Vencemos o campeonato na última etapa, quando
nosso adversário nos entregou o campeonato de bandeja
ao danificar seu carro num dos muitos saltos no rali de Cascavel.
Vejo a Copa Peugeot como uma excelente opção para
quem quer iniciar no rali, por quatro motivos:
1 – O carro não quebra, a não ser que o
piloto bata!
2 – Os carros são todos absolutamente iguais, assim
não há vantagens para nenhum piloto.
3 – A Peugeot banca o transporte e ainda dá prêmios
em dinheiro, coisa que nunca houve na história do rali
brasileiro.
4 – Há uma classificação e premiação
separada para os novatos no esporte, aumentando sua motivação
para competir
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Sady
Bordin / Dário Araújo antes da largada do
Rali da Serra do Rio do Rastro (SC), 1995. Mitsubishi
Lancer.
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Sady Bordin / Gilson
Rocha em ação no Rali Internacional da Graciosa,
a bordo de um Mitsubishi Colt |
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- Gabriel Moraes - De todos os carros que você pilotou,
qual foi o que mais te marcou? Porque?
Sady Bordin - Sem precisar
pensar, o Chevette Touring Rali. Eu aposto minhas fichas que
se aquele carro tivesse um 20 cavalos a mais ele seria competitivo
até hoje. Ele era simplesmente fantástico em trechos
travados. O conjunto motor, suspensão, câmbio e
freio era excelente. Foi um grande trabalho que fizeram. Pena
que a equipe acabou no início de 1985, justamente após
eu ter recusado uma proposta muito boa para correr pela VW.
Coisa de ingênuo...
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Comemorando
uma vitória. Araucária, 2002
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Seat
Ibiza Kit Car, Tijucas (SC), 2002
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- Gabriel Moraes - Quais seus planos para o rally, pretende
voltar a competidor no CBR ou mesmo na Copa Peugeot algum dia?
Sady Bordin
- Olha, eu guardo uma mágoa
muito grande deste esporte, pois fui campeão pela GM
em 1984 e fiquei a pé no ano seguinte. Fui campeão
pela SEAT em 2002 e fiquei a pé no ano seguinte. Fui
campeão da Copa Peugeot em 2005 o, novamente, fiquei
sem equipe no ano seguinte. Sabe, uma hora isto cansa e acho
que eu cansei de correr, vencer e ficar a pé. Assim sendo,
tirei o rali de minha cabeça.
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Bordin/Rocha
em ação no Superprime do Rali de Indaiatuba,
em 08.10.05
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Sady/Gilson
ao lado do Peugeot Presence 1.4 0km recebido da Peugeot
do Brasil como prêmio por terem vencido a Copa Peugeot
de 2005.
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O Site Ereshow\RallyBrazil gostaria de agradecer ao
PilotoSadi Bordin pela entrevista nos concedida.
Visite
a página pessoal do piloto através do endereço:
www.bordin.net
Todas
as fotos aqui disponibilizadas, fazem parte do acervo do site
pessoal de Sady Bordin
Entrevista feita pelo fotógrafo
e membro do site Ereshow\RallyBrazil Gabriel Moraes
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